02/07/2017

Zoo de Lourosa com mais 35 aves de espécies em risco cedidas por entidades europeias

O Zoo de Lourosa, em Santa Maria da Feira, é o único parque ornitológico português e tem agora em exposição mais 35 aves de 18 espécies, todas cedidas por instituições europeias e algumas das quais ameaçadas de extinção.

Essas novas 'aquisições' resultam de programas de conservação coordenados pela EAZA - Associação Europeia de Zoos e Aquários, que tem como missão preservar espécies em risco e garantir o bem-estar físico e psicológico dos animais mantidos em cativeiro, para assegurar a propagação das respetivas espécies e a biodiversidade global.

"Há casos em que recebemos novas aves porque se deu o falecimento dos exemplares dessa espécie que tínhamos antes; há outros em que o objetivo é proporcionar o acasalamento a uma ave que está sozinha ou que não consegue ter um relacionamento reprodutivo com a parceira da sua espécie que temos disponível", explica à Lusa a diretora do Zoo de Lourosa, Salomé Tavares.

Segundo a responsável, "este trabalho em rede entre diferentes zoos europeus" permite fazer uma "melhor gestão" da população de aves do zoo, "focando as atenções não tanto na espécie em geral, mas, sobretudo, nas condições de vida concretas do espécime individual" que se está a proteger.

Entre os novos habitantes do parque ornitológico português inclui-se, por exemplo, um casal de Cegonhas de Abdim (Ciconia abdimii), disponibilizadas pelo Zoo de Lagos, em Portugal, e nunca antes disponíveis em Lourosa. 

Originárias do território a sul do Deserto do Saara e sudoeste da Arábia, essas aves nidificam em aldeias e são conhecidas como "Trazedoras de Chuva", por chegarem ao povoado na época de maior precipitação. 

Os seus ninhos mantêm-se imperturbados por muito que possam ser instalados em locais inconvenientes, o que se deve à superstição de que a sua presença é decisiva para o sucesso das colheitas e, consequentemente, para a sobrevivência da população.

Ao parque de Lourosa também chegou o Papagaio de Fonte Vermelha (Amazona viridigenalis), cedido pelo Zoo de Barcelona, característico do nordeste do México e atualmente com estatuto de espécie ameaçada de extinção. 

Nómadas e gregárias, essas aves podem ainda ser avistadas em meios urbanos da Flórida e da Califórnia, nos Estados Unidos, em resultado da fuga de papagaios de estimação.
Outra espécie que chegou a Lourosa "quase ameaçada" é o Faisão Argus (Argusianus argus), cedido pelo Dierenpark Planckendael, da Bélgica.

Originário da Península da Malásia, Sumatra e Bornéu, tem uma cauda cujas penas centrais podem atingir os 1,43 metros de comprimento e, como ritual de acasalamento, cria para a fêmea uma arena em que se exibe abrindo e invertendo as asas, até esconder entre elas a própria cabeça. 

Outras espécies que agora se podem conhecer no Zoo de Lourosa são o Calau Enrugado (enviado pelo Zoo de Ustí nad Labem, na República Checa), a Ave Martelo (pelo Burgers' Zoo da Holanda) e o recém-descoberto Pombo Coroado de Slater (pelo Zoo de Leipzig, na Alemanha).

O parque ornitológico português também continua a ser o único zoo em Portugal que abriga espécimes de Urubu-Rei (Sarcoranphus papa). Graças a isso, coordena na Europa o programa de preservação dessa espécie e disponibilizou ao Burger's Zoo da Holanda um macho reprodutor, do que resultou uma cria em 2014.

Atualmente, o zoo português aguarda que o seu macho de três anos de idade atinja a maturidade para iniciar a reprodução com a fêmea de seis e, enquanto isso, gere também as condições de vida de mais 45 casais de urubu-rei distribuídos pela Europa, para garantir que essa população se mantenha "saudável e próspera".

Salomé Tavares reconhece que, sendo essa uma espécie da família dos abutres, a sua reputação popular não é a mais positiva, mas encara a ave da América Central e do Sul numa outra perspetiva: "o urubu-rei é o mais colorido de todos os abutres e tem uma função muito importante no seu habitat porque é uma espécie recicladora da natureza".

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